Informação sobre anorexia, causas, sintomas e tratamento da anorexia, tanto em termos psicológicos, como farmacológicos e nutricionais, identificando o seu diagnóstico, e abordando a bulimia nervosa, com dicas para prevenir a sua ocorrência.


sábado, 29 de setembro de 2012

Psicoterapia na Anorexia nervosa

A psicoterapia individual é a mais indicada. Programas que incluem psicoterapia grupal podem ser ineficazes durante a fase aguda. Podem frequentemente provocar efeitos negativos, pois aguçam a competitividade pela perda de peso. A restituição nutricional é um pré-requisito para a eficácia da psicoterapia, embora o ganho de peso não seja sinônimo de cura. O peso não pode ser negligenciado, na expectativa de que seja restaurado como consequência da resolução dos conflitos subjacentes. A hipótese sobre a importância da abordagem familiar não é nova; ela nasce com a descrição clínica do quadro, desde Lasègue. Nos anos 90 foram elaborados estudos sistematizados para avaliar a terapia familiar em pacientes adolescentes. A terapia familiar mostra-se eficaz quando a história clínica tem menos de três anos e os estudos de seguimento apontam para resultados duradouros. Por fim, os achados não sustentam formulações teóricas sobre a existência de uma organização familiar típica e da família como fonte causadora da anorexia. Um ensaio clínico randomizado mostra a eficácia de duas formas de intervenção familiar, comparadas ao grupo controle. Há melhora significativa, tanto sintomática, quanto nas condições psicológicas individuais e nas funções familiares nas duas formas de abordagem familiar. Uma delas é conduzida em conjunto com o paciente; na outra, um suporte para o paciente é associado ao aconselhamento para os familiares. Para pacientes adultos, foi publicado um ensaio clínico randomizado, no qual são apresentados os resultados da comparação entre duas formas de tratamento psicodinâmico (psicoterapia psicodinâmica focal e terapia cognitivo-analítica), terapia familiar e controle. O resultado indica que não há diferença estatisticamente significativa entre as formas de psicoterapia, mas a psicoterapia focal e a psicoterapia familiar mostraram-se mais efetivas quanto ao ganho de peso quando comparadas ao tratamento controle.

Tratamento da Anorexia Nervosa

Em termos de tratamento da anorexia nervosa, a terapêutica baseia-se num trabalho de equipe multidisciplinar, pois vários fatores contribuem para o aparecimento e manutenção dos transtornos alimentares. A American Dietetic Association (ADA) propõe que a abordagem deve ser um processo integrado, no qual a equipe trabalha para modificar os comportamentos relacionados ao peso e à alimentação. A terapia nutricional tem como objetivos, a recuperação nutricional gradual do paciente e a manutenção do peso; o restabelecimento das funções fisiológicas normais; restabelecer o padrão alimentar saudável; eliminar práticas alimentares inadequadas; a melhora do estado emocional, diagnosticar e ajudar a resolver problemas associados (familiares, sociais) e evitar recorrências. Essa terapia tem duas fases, na fase educacional os objetivos são relacionados à coleta e transmissão de informações como história alimentar do paciente, estabelecimento de uma relação de colaboração, definição de conceitos relevantes sobre alimentos, apresentação de exemplos de padrões de fome e de consumo alimentar e a orientação básica para a família; na fase experimental os objetivos são mais terapêuticos: separar comportamentos relacionados a alimento e peso, de sentimentos e questões psicológicas; incrementar as mudanças de comportamento alimentar; aumentar ou diminuir o peso gradativamente; orientar a manutenção do peso adequado e o comportamento com o alimento em ocasiões sociais. Tendo em vista a relevância da discussão sobre pensamentos distorcidos e crenças errôneas a respeito da doença, além da análise de auto-estima do paciente, observa-se que as técnicas cognitivocomportamentais são importantes instrumentos no tratamento psicológico, embora existam experiências com outras formas de intervenção que têm mostrado sucesso. Pacientes com anorexia nervosa muitas vezes ignoram os riscos que a doença apresenta para a saúde e relatam não se sentirem mal ou incomodados, pois o medo de engordar é muito maior que o de morrer. As crenças errôneas, o medo e as distorções sobre alimentação e nutrição representam uma barreira ao tratamento. Ressalte-se que os homens com transtornos alimentares ainda procuram menos tratamento que as mulheres e, quando o fazem, demoram mais para buscar auxílio médico. O padrão alimentar encontrado é de ingestão alimentar baixa em calorias e em nutrientes em geral, quando comparados a grupo controles e costumam não ter regularidades para realizar refeições. Apesar deste padrão errôneo de alimentação, as deficiências de vitaminas e minerais são raras devido ao uso frequente de suplementos e à diminuição das necessidades. No entanto já se  encontraram deficiências de zinco e ácido fólico em adolescentes com Anorexia Nervosa que não se reverteram após o tratamento, de tal forma que os autores recomendaram a suplementação destes nutrientes. As consequências da deficiência de zinco são muito semelhantes à Anorexia Nervosa, e a suplementação com zinco promove maior ganho de peso e redução da ansiedade e depressão. Inadequada ingestão de alimentos gera quadro de desnutrição energético-calórica em diferentes graus. Na avaliação do Índice de Massa Corporal (IMC), as medianas dessas pacientes se encontram abaixo do valor mínimo da faixa de normalidade, o que se associa a quadros carenciais graves de vitaminas e minerais, entre os quais o cálcio. A ingestão prolongadamente deficiente de cálcio, faz com que seja retirado de estruturas que o contêm, como os ossos, podendo provocar prejuízos de graus variáveis na densidade mineral. Devido às anormalidades dos fluidos e eletrólitos (principalmente do fósforo), que podem causar complicações cardiológicas, neurológicas, hematológicas e até morte súbita, a alimentação deve ser cautelosa, com monitoração dos eletrólitos. A realimentação com alimentos é a primeira escolha para a recuperação do peso e é mais bem sucedida do que a realimentação com suplementos na recuperação a longo prazo. A meta principal do tratamento é ajudar o paciente a normalizar seu padrão alimentar, com uma dieta balanceada e suficiente para atender às suas necessidades e recuperar o estado nutricional debilitado pela doença, além de restabelecer o peso, normalizar a percepção de fome e saciedade e correção das sequelas biológicas e psicológicas da desnutrição. Um dos pontos críticos da reabilitação nutricional é a grave depleção do peso corporal, em consequência de um importante déficit de ingestão de energia. Para iniciar o tratamento, é importante fornecer calorias necessárias para o metabolismo basal, levando em consideração os ajustes necessários, já que os pacientes apresentam um decréscimo de cerca de 50% na taxa de metabolismo basal. A ingestão de 200 a 500 calorias adicionais, por semana, promovem ganho de peso gradual. A American Dietetic Association recomenda cautela na realimentação alimentar, pois na síndrome da realimentação pode ocorrer hipofosfatemia grave e súbita, quedas súbitas em potássio e magnésio, intolerância à glicose, hipocalemia, disfunção gastrointestinal e arritmias cardíacas. O uso de fármacos na anorexia nervosa permanece controverso. Há muitos fatores que dificultam a pesquisa nessa área como a baixa prevalência da anorexia nervosa, os riscos de morte envolvidos na doença, a negação da doença, causando resistência e ambivalência em relação ao tratamento. Assim sendo, os estudos de farmacoterapia controlados em anorexia são poucos e envolveram várias classes de medicações, como drogas antidepressivas, antipsocóticas, ciproeptadina, zinco, cisaprida entre outras.

Objetivo do tratamento da Anorexia

Os principais objetivos do tratamento da anorexia são:
  1. Restauração de peso normal/razoável: --menstruação e ovulação normais (mulheres), níveis hormonais normais (homem), desenvolvimento físico normal nas crianças e adolescentes;
  2. Motivação do paciente para recuperar hábitos e comportamentos alimentares saudáveis e participar no tratamento;
  3. Corrigir pensamentos, sentimentos e atitudes disfuncionais relacionadas com a desordem;
  4. Corrigir sequelas biológicas e psicológicas da desnutrição;
  5. Tratamento de condições psiquiátricas associadas;
  6. Garantir suporte e aconselhamento familiar;
  7. Prevenir recaídas;

Diferença entre anorexia e comportamento anoréxico

Anorexia significa falta de fome e pode ser um sintoma que aparece em diferentes doenças, como a depressão. Comportamento anoréxico é um termo utilizado para descrever o comportamento de pessoas com anorexia nervosa, que não têm falta de fome, mas não comem por medo de engordar. O comportamento anoréxico envolve vários outros fatores, como evitar lugares onde haja muita comida (restaurantes, cozinhas etc.), ou ao contrário, passar horas cozinhando para os outros comerem. Picar os alimentos em pedaços muito pequenos e espalhar pelo prato, para dar a impressão de prato cheio, comer em pratos de sobremesa, evitar muitos alimentos que as pessoas acham que engorda, contar as calorias de tudo o que come, entre outros. A família e os amigos devem ficar atentos.

Consequências de Anorexia Nervosa

A Anorexia Nervosa pode ter, como conseqüências físicas, o aparecimento de lanugo, intolerância ao frio, queda de cabelo, bradicardia, hipotensão e edema. Entre as conseqüências emocionais, o paciente pode apresentar sintomas de depressão, tristeza, desanimo e até tentativas de suicídio. As complicações clínicas podem ser de ordem cardiológica (arritmias, parada cardíaca), hematológicas (anemia, problemas de coagulação), gastrointestinais (motilidade gástrica lentificada, alterações enzimáticas) e endócrinas (hipotiroidismo, amenorréia e osteoporose). São considerados fatores de bom diagnóstico a idade menor de início da doença, o menor número de internações e o pequeno tempo de doença antes da internação. Por outro lado, são fatores de mau prognóstico: a duração prolongada da doença, o início tardio da patologia, a presença de sintomas bulímicos, o peso inicial muito baixo, as comorbidades psiquiátricas e relações familiares complicadas.

Instrumentos para avaliação da Anorexia Nervosa

Sendo transtorno de origem multifatorial necessita de avaliações e abordagens que contemplem os vários aspectos envolvidos em sua gênese e manutenção. Assim, a aplicação de instrumentos que avaliam as co-morbidades, a imagem corporal, a qualidade de vida e adequação social, além daqueles utilizados para o diagnóstico do transtorno, será de grande utilidade para a elaboração de estratégias de tratamento adequadas.  Há ainda muita controvérsia sobre os métodos mais adequados para a avaliação dos transtornos alimentares. De modo geral, é possível agrupar os instrumentos de avaliação em, pelo menos, quatro categorias, questionários auto-aplicáveis, entrevistas clínicas, automonitoração e avaliação comportamental em laboratório.

Diagnóstico de anorexia

Uma pessoa com anorexia habitualmente pesa pelo menos 15% menos do que o esperado para a sua altura e idade. O diagnóstico passa por uma avaliação de factores psicológicos e físicos. Pode envolver uma avaliação da atitude da pessoa em relação ao peso, à alimentação, à dieta e às suas ideias em relação ao corpo. O diagnóstico de anorexia nervosa pode ser difícil visto que a maioria das pessoas com esse problema negam que estão doentes e normalmente são levadas para tratamento por um familiar. Além disso, a gravidade da anorexia varia de pessoa para pessoa. Uma pessoa com anorexia pode visitar o médico de família devido a sintomas como paragem da menstruação, dores abdominais, sentir-se inchada ou prisão de ventre.

Sintomas de anorexia

O principal sintoma físico da anorexia é a perda de peso resultante de da pouca ingestão de alimentos. As crianças com anorexia continuarão a ganhar peso, mas menos do que o normal para uma criança da mesma idade. Outros sintomas podem incluir dores de barriga, prisão de ventre ou diarreia, desmaios ou vertigens, pele seca, áspera ou descolorada, cabelo fino, quebradiço ou queda de cabelo, problemas dentários causados pelo ácido do estômago, que apodrece o esmalte dos dentes com repetidas induções de vómito, insónia ou fadiga. Muitas vezes as mulheres com anorexia deixam de ter menstruações. Em crianças e adolescentes, pode atrasar a puberdade e causar problemas no seu desenvolvimento físico. A anorexia também pode causar alterações de personalidade e comportamento. Uma pessoa com anorexia pode ter um medo intenso de engordar e ter uma percepção errada da sua forma corporal: um peso normal e saudável pode fazer com que a pessoa se sinta tensa e em pânico. Pode ficar deprimida, introvertida ou agitada, sofrer alterações de humor, perder interesse nas actividades normais, exercitar demasiado, começar a vomitar secretamente ou a tomar laxantes, ou utilizar supressores de apetite ou diuréticos.

Causas de anorexia

A causa exacta da anorexia nervosa é desconhecida. É um problema complexo provavelmente causado por um conjunto de factores sociais e biológicos, pressão social para ter um aspecto magro e ser sexualmente atraente, antecendentes familiares (genético), tipo de personalidade e relações familiares. Pesquisas sugerem que o stress, experiências de vida difíceis e confusão com o crescimento sexual também podem ter um papel no desencadear da anorexia.

Tipos de anorexia

Existem dois tipos de anorexia, o “tipo restritivo”, no qual há uma obsessiva recusa a alimentar-se, prática compulsiva de exercícios físicos, abuso de laxantes, diuréticos, e o “tipo purgativo”, no qual há momentos de comer compulsivo seguido de vômitos auto-induzidos e também abuso de laxantes, diuréticos e exercícios físicos. O paciente perde peso geralmente adotando uma dieta alimentar radical, quase total. Apesar de os pacientes começarem eliminando os alimentos classificados como gordurosos e calóricos, a maioria escolhe uma dieta muito pobre, às vezes somente líquida. Os pacientes relatam ter muito medo de ficar gordos e ganhar peso. No entanto, é curioso e intrigante este medo intenso não diminuir com a progressiva perda de peso. A perda de peso vista como autocontrole e disciplina não pode ser abandonada, enquanto engordar é visto como um sinal de fracasso e fraqueza.
sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Anorexia nervosa

Dos principais transtornos do comportamento alimentar, a anorexia nervosa (AN) foi a primeira a ser descrita no século XIX e a primeira a ser classificada e ter critérios operacionais já na década de 1970. Etimologicamente, o termo anorexia deriva do grego “an-”, deficiência ou ausência de, e “orexis”, apetite. Também significando aversão à comida, enjôo do estômago ou inapetência, as primeiras referências a essa condição surgem com o termo fastidium  em fontes latinas da época de Cícero (106-43 a.C.) e vários textos do século XVI. Já a denominação mais específica “anorexia nervosa” surgiu com William Gull a partir de 1873, referindo-se à “forma peculiar de doença que afeta principalmente mulheres jovens e caracteriza-se por emagrecimento extremo [...]” cuja “falta de apetite é [...] decorrente de um estado mental mórbido e não a qualquer disfunção gástrica[...]”.  A anorexia nervosa é caracterizada por uma restrição alimentar auto imposta com sequelas graves, características obsessivocompulsivas e crenças irracionais que frequentemente complicam o tratamento. A instalação da doença de forma crônica provoca a princípio desnutrição e desidratação. Apesar dos pacientes negarem fome, são comuns as queixas de fadiga, fraqueza, tonturas e visão turva. As complicações tornam-se graves uma vez que são utilizados métodos drásticos para se conseguir a perda cada vez maior de peso corporal.
  • A anorexia atinge normalmente mulheres entre 10 e 20 anos.
  • Em geral trata-se de mulheres inteligentes, provenientes de famílias de classe média alta, rígidas e fechadas sobre elas próprias, geralmente tem um relacionamento patológico com a mãe.
  • São pessoas extremamente carentes de afeto com quase obsessiva tendência para o perfeccionismo intelectual.
  • Recusa inconsciente de crescer, tentando conservar as formas de infância.
CUIDADO!!!
Quando seriamente abaixo do peso, muitos pacientes com anorexia nervosa manifestam sintomas de depressão, tais como humor deprimido, retraimento social, irritabilidade, insônia e interesse diminuído por sexo. Alem dessas alterações de comportamento são identificados sintomas, como: pele seca e enrugada, queda de cabelo, pressão baixa e amenorréia. A adolescente anoréxica envelhece prematuramente.

Transcrição de parte de um texto interessantíssimo publicado no site Vida e Saúde
"A anorexia e a bulimia estão entre as principais causas de morte de mulheres jovens em todo o mundo, e a maioria das vítimas são adolescentes em período de formação física e psicológica que colocam em risco suas vidas pelo temor obsessivo de engordar. Exemplos famosos de anorexia em jovens não faltam: recentemente ganhou destaque na imprensa aconteceu na China, onde uma estudante de 15 anos que media 1,65 m e pesava 54 kg começou uma dieta que acabou levando à sua morte, pesando menos de 30 kg. A doença não escolhe classe social e chegou a círculos privilegiados, como no caso da filha do presidente francês Jacques Chirac e da princesa Victoria, da Suécia. Entre as vítimas mais velhas, é preciso lembrar a modelo Kate Moss, que já foi hospitalizada por anorexia, e a princesa Diana, bulímica assumida. Mas, além de chegar à moda e ao poder, círculos em que a absessão com a aparência é constante, a anorexia e a bulimia têm tirado o sono de milhares de famílias anônimas em todo o mundo, que vêem suas filhas sempre às voltas com dietas e programas de beleza, e nem sempre sabem reconhecer o limite entre a preocupação com a beleza e a distorção da autoimagem. Por isso, em geral, as famílias só detectam o problema quando a situação já é de emergência, o que traz maiores os riscos de que a doença seja fatal.

Tratamento de Bulimia Nervosa

Um tratamento adequado da bulimia nervosa deverá incluir:
  • Tratamento psicológico
  • Tratamento farmacológico
  • Aconselhamento nutricional 
  • Internamento em casos muito graves
A grande maioria dos pacientes bulímicos deve ser tratada em nível ambulatorial, exceto nos casos onde o desequilíbrio metabólico exige uma intervenção mais intensiva. É interessante o tratamento ambulatorial pois, em geral, os pacientes são mulheres jovens estudantes ou com empregos, donas de casa e com filhos pequenos, onde o afastamento seria prejudicial. Quando necessária, a internação ocorre por complicações associadas como, depressão com risco de suicídio, perda de peso acentuado com comprometimento do estado geral, hipopotassemia seguida de arritmia cardíaca e nos casos de comportamento multiimpulsivo (abuso de álcool, drogas, automutilação, cleptomania, promiscuidade sexual). Alguns autores preconizam a prescrição de um plano de alimentação regular. Um diário de alimentação, pensamentos, sentimentos e comportamentos experimentados em cada situação. Este diário deverá ser discutido com o paciente de forma tranqüila e franca. A psicoterapia pode ser de linha cognitiva e/ou comportamental e deve ajudar o paciente no entendimento dos seus aspectos dinâmicos assim como orientá-lo em questões práticas, por exemplo, planejando antecipadamente os horários quanto às atividades e refeições; tentar comer acompanhado; não estocar alimentos em casa; pesarse apenas na consulta médica, etc. Os antidepressivos têm demonstrado maior eficácia na diminuição dos episódios bulímicos; esses incluem antidepressivos tricíclicos, ou ISRS (inibidores seletivos da recaptação da serotonina), como por exemplo a fluoxetina e a fluvoxamina, mesmo na ausência de depressão coexistente. Outras medicações foram usadas sem resultados promissores.

Consequências de Bulimia Nervosa

A Bulimia Nervosa tem, como conseqüências físicas, a hipertrofia das parótidas, bradicardia ou arritmia, hérnias, sinal de Russell, câimbras (perda de potássio, magnésio e càlcio), desgaste do esmalte dentário e problemas intestinais. Entre as conseqüências emocionais estão os sintomas de depressão, tristeza, desânimo, tentativas de suicídio e compulsões. Como complicações clínicas, podem ocorrer problemas cardiovasculares (até parada cardíaca), dentárias, esofagites, gastrites e úlceras. São considerados fatores de bom prognóstico, sintomas leves a moderados, curta duração antes do tratamento, idade menor no início da doença, motivação para atendimento e boa rede social de suporte. São fatores de mau prognóstico, sintomas mais severos, vômitos muito freqüentes no início do tratamento, flutuações extremas de peso, impulsividade, baixa auto-estima e transtornos comórbidos.

Diagnóstico de Bulimia Nervosa

Segundo o DSM-IV, para se fazer um diagnóstico de Bulimia Nervosa são usados os seguintes critérios como, episódios recorrentes de compulsão periódica, isto é, ingestão, dentro de um curto período de tempo (até 2 horas), de uma quantidade de comida muito maior do que o normal, acompanhada de um sentimento de falta de controle, comportamento compensatório para prevenir ganho de peso (vômitos auto-induzidos, uso de laxantes, diuréticos, enemas, medicações, jejuns, exercícios excessivos). Esses epísódios devem ocorrer em média 2 vezes por semana, por 3 meses consecutivos. Outro critério é a auto-avaliação indevida, influenciada pela forma corporal. A Bulimia Nervosa também pode ser do tipo purgativo (uso regular de métodos purgativos) e tipo não-purgativo (prática de jejum e exercício físico excessivo).

Sinais e Sintomas psicológicos e comportamentais da bulimia nervosa

Sinais e Sintomas psicológicos:
  • Emotividade e depressão;
  • Alterações de humor;
  • Obsessão por dietas;
  • Dificuldade de controlo;
  • Auto--criticismo severo;
  • Auto--estima determinada pelo peso;
  • Medo de não conseguir parar de comer voluntariamente;
  • Necessidade de aprovação dos outros
Sinais e Sintomas comportamentais:
  • Obsessão por comida;
  • Indisposição depois das refeiçõesI;
  • Comer às escondidas;
  • Uso de clisteres;
  • Provocação do vómito;
  • Isolamento social;
  • Exercício físico em excesso;
  • Jejuns prolongados e frequentes;
  • Fuga a restaurantes e refeições planeadas.

Sintomas da bulimia nervosa

Os Sintomas da bulimia nervosa são:
  • Interrupção da menstruação;
  • Interesse exagerado por alimentos e desenvolvimento de estranhos rituais alimentares;
  • Comer em segredo;
  • Obsessão por exercício físico;
  • Depressão;
  • Ingestão compulsiva e exagerada de alimentos;
  • Uso de drogas para indução de vômito, evacuação ou diurese;
  • Alimentação excessiva sem nítido ganho de peso;
  • Longos períodos de tempo no banheiro para induzir o vômito;
  • Abuso de drogas e álcool.

Possiveis causas da bulimia nervosa

  • Causas múltiplas - socioculturais, psicológias, individuais e familiares, neuroquímicas e genéticas;
  • Influência cultural - corpo magro como símbolo de beleza, poder e autocontrole;
  • Eventos estressantes relacionados à sexualidade e formação da identidade pessoal;
  • Alterações de diferentes neurotransmissores, contribuindo para o complexo somático.

Epidemiologia da bulimia nervosa

A taxa de prevalência da bulimia nervosa é de 2 a 4% entre mulheres adolescentes e adultas jovens. A grande maioria dos pacientes com bulimia nervosa é do sexo feminino, na proporção de 9:1. O início dos sintomas vai dos últimos anos da adolescência até os 40 anos com idade média de início por volta dos 20 anos. Algumas profissões em particular parecem apresentar maior risco, como é o caso dos jóqueis, atletas, manequins e pessoas ligadas à moda em geral, onde o rigor com o controle do peso é maior do que na população geral. Semelhante à anorexia nervosa. Aspectos socioculturais são importantes na medida em que a doença parece também mais comum em classes econômicas mais elevadas.

Subtipos de bulimia nervosa

Na bulimia nervosa, existem dois subtipos, a bulimia de tipo purgativo e a bulimia de tipo não purgativo. A bulimia de tipo purgativo caracteriza-se por uma indução regular do vómito ou abuso de laxantes, diuréticos ou enemas. Por outro lado, a bulimia de tipo não purgativo, ocorre, primeiro quando nenhuma das características da bulimia do tipo purgativo ocorre, mas sim, quando o indivíduo fica de jejum e, normalmente, ao mesmo tempo tem uma prática de exercício físico excessivo.

Bulimia Nervosa

A Bulimia nervosa caracteriza-se pela ocorrênciade episódios repetidos de voracidade alimentar, seguido por comportamentos compensatórios inapropriados, tais como o vómito auto-induzido, abuso de laxantes, diuréticos, ou outras medicações, jejum, ou exercício físico excessivo. Os alimentos ingeridos nessa ocasião tratam-se de alimentos ricos em hidratos de carbono e são ingeridos de uma forma eloquente. A bulimia baseia-se também num ciclo vicioso de compulsão-purgação-restrição, devido a uma auto-avaliação distorcida e negativa do peso e forma do corpo. Aquando desta perturbação os sujeitos são confrontados com sensações audazes de incapacidade, medo, culpa e vergonha. As características fundamentais da Bulimia Nervosa, encontram-se descritas no DSM-IV-TR (2002), como períodos de ingestão compulsiva de alimentos e o uso de métodos compensatórios inapropriados para impedir o aumento de peso. A bulimia nervosa inicia-se, de acordo com o DSM-IV-TR (2002), no final da adolescência ou no inicio da idade adulta. Os episódios de ingestão compulsiva começam, normalmente, durante ou após uma dieta. A evolução desta perturbação poderá ser crónica ou intermitente, isto é, com períodos de remissão alternados com períodos de ingestão compulsiva. No entanto, aquando do seguimento a longo prazo, sintomas de vários indivíduos tendem a diminuir. Os momentos de remissão superiores a um ano estão associados a um melhor prognóstico a longo prazo. Na maioria das vezes, o consumo excessivo e descontrolado de alimentos não tem o objectivo de apenas saciar a fome da pessoa, mas também, encontra-se associado à função de apaziguar, de ajudar em momentos em que a nível psicológico e emocional o indivíduo não se sente bem.


A pessoa com Bulimia tem comportamento social visível e atitudes emocionais visíveis perfeitamente normais. Isso quer dizer que não se pode perceber esses pacientes tão facilmente. O máximo que se pode notar, enquanto não aparece a desnutrição ou outras complicações, é o hábito suspeito de correr para o banheiro depois de comer. Existem duas grandes dificuldades no tratamento da Bulimia e da Anorexia: a demora em procurar o atendimento médico e a falta de aderência do paciente. Na realidade, a primeira reflete a recusa da família em aceitar a doença e a segunda a recusa do paciente. A recusa da família deve-se, principalmente à influência de parentes, leigos que acham tanto a Anorexia como a Bulimia algum simples capricho, uma teimosia ou algo que vai passar...

Ainda tem casos onde os pais optam por alguma coisa "mais natural", algo "que não faça mal" ou a famosa frase "onde já se viu a Bia ter que tomar esses calmantes..." Enfim... a ignorância também pode matar.

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